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CULTURA 28/09/2021 "III Seminário Cultura e Saúde" realiza palestras com artistas do Juquery

Na última sexta-feira (17), a 4ª edição do Festival de Artes Soy Louco por Ti Juquery reuniu no "III Seminário Cultura e Saúde", realizado na sede da Secretaria da Educação e Cultura, artistas para palestrar sobre suas obras e estudos pautados no Complexo Hospitalar do Juquery e a arterapia. As palestras aconteceram em formato híbrido, com público presencial e transmissão ao vivo nas redes sociais da prefeitura.

Com mediação do artista e professor da rede municipal de ensino, Fábio Dasher, a ação contou com três palestrantes, sendo eles o jornalista Cristian Cancino, diretor do documentário “A Soltura do Louco” sobre o artista Ubirajara Ferreira Braga; Celso Maldos, documentarista que registrou o encontro de obras do Museu de Arte Osório Cesar (MAOC) por pesquisadores na década de 1980 e Michelle Guimarães, museóloga do MAOC doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisando sobre as obras do MAOC em sua tese.

O seminário, realizado de 15 a 17 de setembro, integra o festival do Soy Louco desde 2019 e debate sobre temas relacionados à arte terapia e saúde mental no Juquery. E dando ênfase justamente à arte do pintor do Juquery, Ubirajara Braga, o diretor Cristian explica que seu trabalho direcionado ao artista é uma forma expor a força dos artistas do Juquery para se expressarem através da arte como modo de sobrevivência e resistência.

“Temos que cuidar muito bem do Juquery porque ele nos presenteia com pessoas magníficas como o Ubirajara. Um artista que foi o verdadeiro diretor do próprio do filme. Ele que dizia onde tínhamos que ir e o que mostrar em sua arte, de maneira que ficava evidente sua maestria artística como forma de resistência”, disse Cristian.


Já o documentarista Celso Maldos, comentou que o registro do encontro de obras era uma forma dar voz àqueles que sempre foram rejeitados por grande parte da sociedade, além de receberem tratamentos questionáveis dentro do complexo hospitalar. “O documentário tinha essa intenção de ser um braço direito da luta antimanicomial, como maneira de protesto e valorização dos internos como artistas e, principalmente, humanos”.

A doutoranda e museóloga, Michelle Guimarães, pontuou a importância de vermos a perspectiva de vida dos artistas do Juquery além da medicina, mas sim, da maneira que elas próprios se veem. “Uma quebra do nosso padrão de vida já traz muito sofrimento, o que prova que nossa ligação com o mundo externo é bem frágil. Por isso, talvez, essas pessoas que julgamos como doentes mentais apenas possuem uma sensibilidade maior que nós para lidar com essas mudanças”.

Ao fim das apresentações, os artistas responderam perguntas do público virtual que acompanhava o seminário e parabenizaram a organizavam de mais uma edição do Festival Soy Loco por Ti Juquery.

Texto: Jorge Henrique Ramos - Foto: César Iury