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DESENVOLVIMENTO SOCIAL 13/04/2018 Integrantes dos CRAS e CREAS concluem projeto Amigos do Dito e mandam mensagem sobre necessidade de preservação do parque

Integrantes dos CRAS e CREAS concluem projeto Amigos do Dito e mandam mensagem sobre necessidade de preservação do parque

Com o foco de preservar o Parque Municipal Benedito Bueno de Morais, entregue para a população em novembro de 2016, o projeto Amigos do Dito tomou conta das quatro unidades dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), desde agosto do ano passado, colaborando com a conscientização de jovens sobre a importância de cuidar do local.

Ao todo, foram 80 alunos dos CRAS e mais alguns membros que frequentam o CREAS. Na última terça-feira (10), os integrantes dessas unidades participaram da conclusão de todo o processo de aprendizado do projeto, que foi dividido em três módulos, sendo eles preservação do patrimônio e identidade, grafite e silk screen (processo de impressão conhecido também como serigrafia). Veja fotos da atividade

Nesse dia também foi realizada uma exposição, onde os alunos das oficinas apresentaram seus trabalhos ao público e aproveitaram para grafitar um dos muros do parque, paralelo ao Rio Juquery, dando um novo visual ao espaço próximo ao viaduto Donald Savazoni. Esses trabalhos foram expostos na última sexta-feira (6), durante o lançamento da primeira cerveja artesanal do estado de São Paulo, a Juca Beer, na feira do Juquery Arte Vila, realizada na praça Benedito Batista de Oliveira.

Arte aliada à preservação

A formação “Amigos do Dito” foi oferecida pela prefeitura, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, intermediada pela CECON (Capacitação e Educação Continuada).

O psicólogo coordenador do projeto pela empresa, Artur Vieira Santos, falou sobre como foi passar a ideia do papel aos integrantes de cada unidade. “Além de agregar todos os alunos, falar sobre preservação e cuidado do patrimônio público, esse trabalho aborda questão de cultura e arte. Por ter conteúdos interessantes como o grafite, eles aprenderam diversas técnicas”.


Além disso, Artur sabe o quanto o aprendizado pode mudar a vida dos jovens que são atendidos nas unidades da assistência social. “É um start artístico. Por exemplo, um dos alunos fez uma das camisetas e ela já foi comprada por diversas pessoas. Isso foi incentivo a mais para ele”.

Integrante na oficina desenvolvida no CRAS da Vila Bazu, Giovana Cunha Rodrigues, de 16 anos, bateu carteirinha no local desde o primeiro dia de aula e não quis parar mais, concluindo a oficina na última terça. “Não estava criando tanta expectativa porque eu achei que ia entrar em um grupo e precisava já saber fazer grafite, desenhar, mas não, nós aprendemos durante o curso e gostei bastante”.

Ela destacou o que adquiriu de conhecimento ao longo dos últimos sete meses. “Aprendi a fazer diversas técnicas, sombrear por exemplo, cortar, ter uma noção de cores quentes e frias que não sabia, entre outras coisas mais, como utilização de materiais no silk”, contou Giovana.

O professor Leonardo Henrique Ferreira, o Leon, que é arte-educador e está há 20 anos nos caminhos do grafite comentou sobre seu trabalho com os alunos. “Comecei destacando que no grafite nós temos um apelido ou uma marca que criamos. A partir disso se cria uma tag, que é assinatura. Da tag você cria um tipo de letra, entre outras coisas até colocar em prática”,

Leon também falou sobre a técnica ensinada. “É bem difícil você conseguir manusear o spray, são anos e anos para conseguir ter um controle total. A pessoa que não conhece a técnica olha e fala que é fácil, mas a partir do momento que você pega o spray percebe que não é nada fácil. Ao longo da oficina teve alguns que tiveram mais facilidade e se destacaram. Muitos deles desenvolveram várias habilidades”.

Com todo o ensinamento transmitido, Leon sabe que a galera dos CRAS e CREAS ganha um impulso, uma grande oportunidade, o que ele garante ter sido diferente quando ingressou nessa área, com apenas 14 anos de idade. “Ninguém me incentivou a nada quando comecei, se eu não corresse atrás do que eu queria não chegaria a lugar nenhum. Graças a isso consigo trabalhar com o que eu amo e nesse projeto tive a oportunidade de ensinar. Achei muito interessante essa interação”.

Além de grafitar o parque (conforme foto abaixo), os Amigos do Dito também deixaram seu registro fazendo grafites no muro de cada unidade dos CRAS´s, dando um novo visual aos espaços.

(Texto: Ewerton Geniseli - Fotos: Ewerton Geniseli e Orlando Junior)