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CULTURA 07/08/2018 Ação Franco Diversidade Cultural promove resgate das heranças culturais do Brasil

Ação Franco Diversidade Cultural promove resgate das heranças culturais do Brasil

No último sábado (4), a Casa de Cultura Marielle Franco recebeu a Ação Franco Diversidade Cultural. O evento, que integrava a programação do Festival de Inverno da cidade, promoveu uma tarde inteira de atividades voltadas à história e cultura africana e indígena.

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Abrindo a ação, o público participou de uma oficina de artesanato e brinquedos tradicionais, ministrada pela educadora Kerexu Mirin.

Os participantes aprenderam um pouco sobre artesanato indígena, conheceram sua história, os materiais utilizados e também puderam colocar a mão na massa. Dentre as peças confeccionadas, a peteca feita de sabugo de milho fez sucesso entre crianças e adultos.


Seguindo a programação, o Bloco da Casa Velha trouxe música e diversão para as ruas do entorno da Casa de Cultura. Partindo da estação de trens da CPTM, a melodia dos tambores arrastou os franco-rochenses para curtirem a ação.


Desde 2003 o trabalho de valorização da cultura afro-brasileira e indígena é obrigatório na rede oficial de ensino e consta no currículo escolar, pelas Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a Ação Franco Diversidade Cultural recebeu escritores renomados para debater o assunto.

Discutindo a obrigatoriedade de trabalhar a valorização da cultura e história afro-brasileira, africana e indígena nas escolas, o evento recebeu escritores especializados no tema e que neste ano participaram da renomada Feira Literária Internacional de Paraty.


Heloísa Pires de Lima é antropóloga, cientista social, educadora e psicóloga. Ela escreveu diversos livros com a temática afro-brasileira, incluindo “Histórias da Preta”, publicado pela editora Companhia das Letrinhas. A obra foi adotada por escolas públicas e particulares e cumpriu o importante papel de levar personagens negros ao universo infantil, colaborando para a construção da identidade das crianças negras e oferecendo referências reais de personagens que geram identificação e melhoram a autoestima dos pequenos.

Segundo ela, durante muitas décadas houve uma ausência de referências africanas nas escolas e isso impactou muito na forma como os alunos aprenderam a história do Brasil. “Há uma importância muito grande em abordar as origens africanas nas Américas e no mundo. Eu atuo nessa direção desde 1995 e procuro exaltar essa ligação e aumentar a diversidade nas bibliotecas das unidades de ensino”, afirma.


Escritor do povo Guarani, Olívio de Jekupé falou sobre os preconceitos e estereótipos que envolvem os povos indígenas. “A sociedade ainda preserva inúmeros mitos relacionados ao nosso povo e isso se deve ao fato dos próprios brasileiros não conhecerem a sua história. É importante que nós, continuemos escrevendo e estimulando outros índios a publicarem suas vivências. Meu filho, o MC Kunumi compõe letras de rap, minhas filhas e minha mulher também escrevem e já publicaram seus livros”, declara

“No Brasil pouco de sabe sobre a literatura nativa. As pessoas vivem sob a cultura indígena e não se dão conta. Muitas coisas que fazem parte do dia a dia em sociedade foram construídas ou criadas pelos índios e as pessoas não sabem”, conclui Jekupé.

Ambos os escritores trouxeram suas publicações para compartilhar com o público, peças de artesanato indígena também foram expostas em frente a Casa de Cultura.


Foi um dia intenso de aprendizado e encontro com a história dos povos que construíram o Brasil, cuja trajetória, por muitos séculos não foi contada com o protagonismo dos verdadeiros atores.

As crianças do Coral da Aldeia Guarani Tekoá Pyau também estiveram presentes na ação. Elas mostraram um pouco da dança e da música de seu povo público. Um dos membros do grupo tocou violino enquanto os pequenos cantavam canções em guarani.

Celebrando as raízes afro-brasileiras, o grupo de capoeira das oficinas de esportes da prefeitura se apresentou ao som da banda de tambores.


Fechando a celebração, o MC Kunumi, levou a força de suas rimas à Praça Kléia Alves. A carreira do músico começou com o incentivo de seu pai, que via no garoto um grande interesse pelo rap e pela poesia. “Nas minhas letras eu reivindico a demarcação de terras indígenas, que é fundamental para garantir a nossa sobrevivência. Eu falo também sobre a preservação da natureza e do orgulho que tenho das minhas raízes”, destaca o rapper.



(Texto: Luana Nascimento - Foto: Dalmir Junior)