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CULTURA 06/09/2018 1º Encontro de Pesquisadores é realizado na Casa de Cultura Marielle Franco

1º Encontro de Pesquisadores é realizado na Casa de Cultura Marielle Franco

Nos dias 29 e 30 de agosto a Casa de Cultura Marielle Franco recebeu o 1º Encontro de Pesquisadores de Franco da Rocha. A programação do evento, que encerrou o Festival de Inverno da cidade, foi idealizada pela Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, por meio do Programa Franco Memória e contou com palestras, rodas de conversa e apresentação dos trabalhos e pesquisas.

Confira fotos do evento.

O prefeito Kiko Celeguim esteve presente na abertura do evento e comentou sobre a importância de promover o intercâmbio entre pesquisadores e estudantes.

A secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Taiana Garcia falou sobre a relevância de trazer uma atividade como esta para Franco da Rocha, reunindo pesquisadores e estudiosos para celebrar a história da cidade e conhecer um pouco mais sobre a vida e obra do Dr. Osório César.

Taiana explicou em detalhes o que motivou a criação do encontro. "Pensamos em contribuir com três linhas fundamentais para a memória e identidade cultural de Franco: promover um encontro e consequentemente o debate entre os pesquisadores, sejam eles daqui ou de outros municípios; iniciar a organização de um banco de pesquisas que refira-se à cidade, porque há bastante material sobre o município e seus temas, mas eles estão disponíveis de forma muito difusa, o que dificulta o acesso, e por último, pretendemos promover uma ação de difusão do conhecimento e democratização dos saberes", encerra.


Pioneiro na chamada arteterapia, Osório César considerava que as obras produzidas pelos internos do Hospital Juquery ultrapassavam o caráter de documentos clínicos a serem utilizados pelos médicos e atribuía-lhes o status de verdadeiras obras de arte, originais e esteticamente elaboradas.

Troca de experiências

Rosa Cristina de Carvalho, professora doutora pela Universidade Estadual de Campinas, apresentou uma palestra sobre a atuação do Dr. Osório César na área da crítica de arte, uma das muitas vocações que desenvolveu ao longo da vida, sobre sua concepção de museus de arte e o lugar que as obras produzidas no ateliê artístico do Juquery deveriam ocupar dentro do espaço museológico.

Em seguida, o pesquisador Elielton Ribeiro Rodrigues apresentou seu trabalho sobre o processo de criação do Museu Osório César a partir do acervo originado da Escola Livre de Artes Plásticas do Juquery, dirigida pelo médico entre os anos de 1946 e 1964. Kathleen Miranda foi a segunda pesquisadora, ela analisou um dos livros publicados por Osório, "Simbolismo Mítico nos Alienados", detalhando as categorias utilizadas por ele para explorar psicologicamente desenhos e esculturas produzidos pelos artistas internos.

Ednaldo Carmo apresentou a pesquisa sobre o tema “Influência Artística do Juquery”, em que conta a história de vida e atuação de dona Raimunda Assunção dos Santos, enfermeira do Complexo, que incentivou a criação artística de pacientes nas áreas da música, dança e teatro. Durante sua presidência no Centro Comunitário da cidade, a enfermeira promoveu diversos festivais culturais que mobilizaram a população, viabilizando o intercâmbio artístico do município com o hospital Juquery.

No dia seguinte, Mara Cristina Gomes da Silva, historiadora e professora, apresentou o projeto “Franco da Rocha: História e Imagens”, desenvolvido sob sua orientação desde 2013 por alunos da ETEC Dr. Hemílio Hernandez Aguilar. O estudo consiste no levantamento de fontes de pesquisa sobre quatro eixos da história de Franco da Rocha: o Complexo Hospitalar do Juquery, a linha férrea, os bairros da cidade e o Parque Estadual do Juquery.

Regiane Rocha, professora da área da educação, falou sobre a atuação do pedagogo Norberto Souza Pinto, responsável pela instalação da escola e pela educação das crianças internas do Juquery, até então consideradas "anormais". Patrícia Rosa Donato Teixeira, também professora de história, expôs seu trabalho sobre a cidade, trazendo muitos relatos de moradores.

No período da tarde, foi a vez do antropólogo Alexandre Silva Chaves apresentar sua pesquisa de doutorado sobre a Festa de Santa Cruz dos Valos, realizada na área rural do município. Luciene Ribeiro da Silva, historiadora, mostrou ao público alguns pontos importantes sobre a presença e cultura negras no município, traçando o perfil dos negros internados no Juquery, além de explorar manifestações culturais de origem africana desenvolvidas na cidade e elaborar possíveis formas de se estimular o seu desenvolvimento.

Encerrando o dia, um grupo de alunos da ETEC Franco da Rocha, formado por Beatriz Bernardo, Natália de Oliveira Ketner, Gabriel Crispim, Guilherme Ícaro, Luan Francisco Savarese e Guilherme de Oliveira Silva, apresentou o estudo de acompanhamento e avaliação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, implementado pela Prefeitura de Franco da Rocha, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social.

Ao final do encontro Taiana Garcia fez um balanço dos dois dias de atividade. "Reunir num mesmo encontro, ou melhor numa mesma mesa, pesquisadores com titulação de doutorado e estudantes de ensino médio para falarem sobre suas pesquisas e seus olhares para Franco da Rocha foi de uma enorme riqueza e é também a prova de que quando falamos de cultura, o saber pode estar diretamente ligado à vivência, memória e experiência do indivíduo e não necessariamente a um título", concluiu.

Iniciativa inédita em Franco da Rocha, o encontro de pesquisadores buscou reconhecer e valorizar o conhecimento já produzido sobre a cidade, além de organizar tais produções a fim de disponibilizá-las de maneira mais acessível aos interessados.

(Texto Luana Nascimento - Foto: Edilson Teles)