Página Inicial Notícia

EDUCAÇÃO 18/04/2019 Crianças aprendem alimentação saudável e montam seus pratos no recreio da EMEB Florestan Fernandes

Crianças aprendem alimentação saudável e montam seus pratos no recreio da EMEB Florestan Fernandes

O horário? Por volta das 10h já é hora do almoço na EMEB Florestan Fernandes. A fila entre as crianças já começa a ser formada, os pratos já estão nas mãos dos pequenos e cada um deles vão para um dos lados do rechaud. Hora de se servir! Veja fotos

À disposição das crianças tinha: arroz, feijão, carne moída e chuchu. Sim, chuchu. E eles pegaram? Com certeza! Alguns ficavam meio tímidos, outros colocavam pouco no prato, alguns não queriam mesmo, mas o importante é que pegaram.

Tudo era colocado no prato com muito cuidado, mas na quantidade adequada para depois irem às mesas fazer a refeição junto com os amiguinhos.


Essa é a novidade promovida pela EMEB localizada na Vila Bazu, que tem por objetivo melhorar a alimentação das crianças, uma vez que saber a quantidade de alimento que você consome em refeições como almoço e jantar é essencial para poder montar seu prato e evitar desperdício.

A ação acontece desde o ano passado, e teve início com um self-service na hora do recreio, o que começou a gerar uma autonomia infantil.

Veja como começou esse projeto na publicação que a unidade fez no Blog da Educação, clique aqui

As crianças são dos níveis I e II, tendo entre 4 a 5 anos. Com toda certeza algumas delas já levam a lição aprendida na escola pro dia a dia em suas casas.

Como surgiu essa ideia

A diretora da unidade, Samara dos Santos Nunes, que já está à frente da escola há quatro anos, explicou que a ideia surgiu em 2018 e que no início fizeram como se fosse um restaurante, para as crianças se servirem. “Fizemos uma salada diferente e algumas outras comidas onde eles iam se servindo”.


Para a realização dessa atividade, a diretora contou com o apoio de toda a equipe escolar, principalmente as professoras e as merendeiras que abraçaram a ideia.

“Houve uma conscientização geral. Fizemos essa experiência em um dia. Foi muito legal. E repetimos por mais três dias as atividades”, contou a diretora.

O trabalho deu tão certo, que teve que continuar. Anteriormente o self-service era realizado na área externa da escola, mas passou a acontecer dentro do refeitório como explica Samara. “Começamos a colocar os alimentos em recipientes de plástico. As mães elogiaram bastante, pois eles estavam se servindo em casa e até comendo mais salada”.


Porém, alguns problemas começaram a surgir. “Quando a nutricionista da prefeitura vinha fazer as visitas, ela sempre orientava que não era interessante fazer o self-service dessa forma, pois a comida perdia a temperatura”.

A partir dessa demanda foi necessário tomar uma atitude. Em dezembro, a diretora se reuniu com o grupo da escola para colocar fim ao trabalho, porém, foi surpreendida. “O grupo de fato comprou a ideia e defendeu o projeto. Nisso pesquisamos o preço do rechaud e, em janeiro, utilizamos o dinheiro da festa junina de 2018, mais a contribuição da APM e conseguimos fazer a compra”, comemorou Samara.

Leia o relato que a escola fez sobre essa conquista no Blog da Educação

Para a produção do richeout a diretora se atentou aos detalhes. “Pedi para fazer da altura deles, os dois passa prato e de uma forma que fosse perfeita para eles se alimentarem”.


Samara fez uma avaliação de todo o trabalho. “Percebi o quanto elas gostaram, era algo que tinha que ter muito apoio e teve. Foi tão positivo e o resultado valeu, todos adoraram. É um trabalho que fazemos todos os dias. É algo que é lindo e maravilhoso”.

Alimentação saudável

A coordenadora da unidade, Daniela de Araujo Braga dos Santos, responsável por fazer a publicação no Blog da Educação que deu visibilidade ao projeto, comentou sobre o trabalho de conscientização quanto a alimentação dos pequenos. “O nível I ainda pega em excesso, porque acham que é brincadeira. Por conta disso, lançamos uma campanha na escola e a demanda para os grupos nas salas trabalharem sobre alimentação saudável, de onde vem o alimento, um trabalho de conscientização”.

Daniela também lembrou sobre a proposta pedagógica da rede. “Dentro da proposta diz que o aluno tem o direito da escolha, que ele tem que ser autônomo, que tem que ser o protagonista de tudo, pensamos, por que não? Todos tem que estar envolvidos nisso”, e deu certo, afirmou a coordenadora da escola.

O resultado relatado pelos pais em casa também fez parte da fala da coordenadora. “As mães falam que as crianças querem colocar a comida no prato, e faz com que crianças que não comiam nada, consigam se alimentar melhor e que as crianças que comiam somente o arroz, somente o feijão, elas experimentam as outras coisas, como saladas”.


Nutricionista da prefeitura há oito anos, Viviane de Souza Cruz nunca tinha visto uma escola com tanta autonomia quanto a esse trabalho feito. “Foi a primeira escola que teve a iniciativa de comprar e administrar um rechaud”.

Ela também comentou sobre o trabalho e a importância de incentivar esse projeto. “Com relação a alimentação saudável, desde a primeira infância é primordial ter o conhecimento de alimentos variados, porque isso leva para a vida adulta e um rechaud permite isso, delas escolherem a comida”.

A nutricionista, vendo o cenário do país em relação ao crescimento das taxas de obesidade, ela acredita que dessa forma pode ajudar a diminuir, uma vez que é ensinada para as crianças uma alimentação consciente, de quantidade e qualidade. Uma alimentação mais saudável.

Kauan, aluno da EMEB, aprovou essa ideia. “Gosto de arroz feijão e salada. Em casa também como sozinho, coloco minha comida”.

A sensação por parte dos integrantes da escola é de dever cumprido, é algo que essas crianças jamais vão esquecer.


(Texto: Ewerton Geniseli - Fotos: Orlando Junior e equipe da unidade escolar)