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EDUCAÇÃO 05/11/2019 Prevenção à gravidez precoce: Projeto “Vale Sonhar” possibilita que alunos vivenciem a realidade de cuidar de um bebê

Prevenção à gravidez precoce: Projeto “Vale Sonhar” possibilita que alunos vivenciem a realidade de cuidar de um bebê

A gravidez na adolescência representa uma mudança drástica na vida tanto do bebê como dos pais, que ainda estão passando pela fase de amadurecimento para a vida adulta. Pensando nisso, a Escola Estadual Isaura de Miranda Botto desenvolveu o projeto “Vale Sonhar” com os alunos dos 1º anos do Ensino Médio.

O principal objetivo do projeto interdisciplinar, que tinha como tema sexualidade, era ensinar sobre a responsabilidade em ter uma criança, alertando sobre as consequências que uma gestação precoce carrega. Por isso, os alunos cuidaram durante duas semanas de um bebê de brinquedo como se fosse real, passando por todas as etapas do ciclo de desenvolvimento da criança.

Na fase inicial da proposta, eles receberam a missão de comunicar aos pais que estariam “grávidos”, e depois, relatariam em sala de aula como foi a reação perante a notícia.

Como era de se esperar, alguns pais não receberam a novidade de forma muito animada, mas ao tomarem conhecimento sobre a iniciativa da escola compreenderam a importância da atividade.

Aprendizado e prevenção

O jovem Gabriel conta como foi o momento em que seus pais souberam da existência de seu “primeiro filho”. “Quando eu contei para o meu pai ele não reagiu tão bem, daí eu tive que explicar que era um trabalho, e assim ele ficou mais calmo, mas a primeira reação foi bem assustadora. Mas eles acharam uma boa ideia para entendermos a responsabilidade que é ter uma criança. Meus pais até me acordaram de madrugada com som de bebe no meu ouvido”, disse.

Depois dessa tarefa, a fim de trabalhar a fase de aceitação, houve um sorteio para definir qual seria o gênero e a quantidade de filhos que teriam, podendo variar entre filho único, gêmeos ou até mesmo trigêmeos, já que na vida real eles não têm poder de escolha sobre o bebê. A partir de então, os cuidados básicos tinham que ser realizados como trocar a roupa, alimentar e até mesmo levar para passear.


A estudante Shirley de 16 anos falou sobre a mensagem que essa experiência única traz para os jovens. “Nós precisamos saber que a vida não é tão simples assim, e ser mãe na adolescência não é fácil. A maioria das meninas não se previnem nessa idade, e acabam engravidando cedo. Então isso tudo que estamos fazendo é aprendizado”, citou.

A professora de Ciências e Biologia, Francislene Rodrigues, que esteve à frente da iniciativa, explicou como a informação proporciona conhecimento sobre determinados assuntos que ainda são considerados tabus entre as famílias.

“A importância dessa atividade é alertar, porque agora é o momento dos alunos estudarem, e terem conhecimento das consequências de seus atos para o futuro. O projeto ensina de forma lúdica, mas não foge da real intenção de proporcionar uma vivência da realidade, concluiu Francislene.

A gravidez na adolescência é um problema de saúde pública, uma vez que pode acarretar complicações na saúde da mãe ou da criança, além disso, cabe ressaltar que o pai também não pode se eximir de sua responsabilidade, já que o filho não é concebido por apenas por uma das partes. A prevenção é um fator fundamental, para que a juventude entenda que existem métodos contraceptivos que, além de evitar uma gestação não planejada, previnem contra doenças sexualmente transmissíveis. 

Texto: Danielle Magalhães Foto: Cesar Iury/Facebook Isaura de Miranda Botto